 | Motociclistas Gaúchos Rumo ao Nordeste - Parte VII
Imagens |  Jairo e Toco receberam apoio e muitas cidades por onde passaram, como em Ipatinga (MG).
 Ouro Preto é muito bonita e é a história ainda viva de um período do Brasil, mas é melhor conhecê-la de carro.
 Basílica de Congonhas com os 12 profetas esculpidos por Aleijadinho, emocionante.
 Os gaúchos deixaram para trás o estado de MG, com a Fernão Dias só para eles, após superarem a obstrução da estrada.
 Em São Paulo é que eles aprenderam o que é andar no trânsito congestionado.
 Jairo se despedindo dos familiares em São Roque (SP).
 De volta pra casa, boas estradas.
 A última ceia dos amigos em viagem, muita comemoração e já iniciando as saudades.
 Chegando em casa, a satisfação de reencontrar o filho (Ben Hur, o maior) e o sobrinho (Diego).
 Já em casa, relaxado, compartilhando as histórias de estrada com os familiares.
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Segunda, 3 Novembro 2008 27/10 - Teófilo Ottoni - Ipatinga - Belo Horizonte - Ouro Preto
Antes de ir para a estrada o Toco teve que trocar o óleo da moto dele e eu da minha. Às 10 horas pegamos a estrada rumo à Ipatinga.
Poucos quilômetro antes de chegar à Ipatinga aconteceu um lance que vem se repetindo quase diariamente em nossa viagem. Enquanto abastecíamos as motos chegou um senhor numa Strada vermelha da Fiat e me perguntou de onde éramos. Quando lhe contei de nossa aventura ele ficou encantando. Era o Sr. Ferreira, aposentado, advogado que voltou a trabalhar no jurídico de uma grande empresa de aço. Ficamos conversando e trocando ideias sobre motos um bom tempo. Depois ele disse que nos acompanharia até Ipatinga, onde ele reside.
No caminho a moto do Toco teve um problema na ignição e enquanto tentávamos achar uma solução chegou mais um morador de Ipatinga e se reuniu ao grupo. Disse que vira nossas motos na beira de estrada e que achava que estávamos necessitando de ajuda e por isso parara com intenção de nos ajudar. Ficamos de papo no trevo de Ipatinga. Depois nos levaram à concessionária a Sundown, onde o Toco e a moto foram recebidos com muita cortesia. Quebraram o galho dele consertando a moto e o Ferreira nos levou a um restaurante chiquérrimo para almoçar.
Na hora da despedida convidou-nos para ficar mais um dia em Ipatinga na casa dele, e diante de nossa negativa disse que se um dia nós repetíssemos uma viagem destas era para não esquecer de avisá-lo, que ele iria junto, sem dúvida. Isto tem se repetido quase diariamente. Uma cortesia sem limites e admiração no olhar das pessoas que nos encontram.
De Ipatinga fomos a Belo Horizonte, onde só passamos pelo anel rodoviário e fomos direto à Ouro Preto, que era o nosso objetivo do dia. Lá na cidade, ao ver aquele sobe e desce que não acaba nunca, com pedras irregulares do seculo XVII disse ao Toco: "Só espero que não chova por aqui".
28/10 - Ouro Preto - Congonhas - Tiradentes - Pouso Alegre
Amanheceu chovendo. Para sairmos da pousada, que ficava numa encosta de quase 90 graus, já foi um sufoco.
Visitamos alguns locais da cidade e o Toco me confessou que estava atemorizado dirigindo a moto por aquelas subidas e descidas molhadas e escorregadias. Tive que confessar a ele que também estava com medo. Então, fomos embora e decidimos que voltaremos outro dia à Ouro Preto, de carro.
Fomos à Congonhas visitar a basílica com os 12 profetas de Aleijadinho. Me emocionei vendo aquela obra, que estudei e vi inúmeras vezes em fotos nos meus tempos de estudante. Foi uma emoção ver tudo aquilo ao vivo. Estava tão contente que, pela primeira vez, entrei numa loja para turista e comprei presente para todos meus parentes, filhos e esposa. O Toco comprou uma camiseta de Congonhas.
Saímos de Congonhas, sem nenhuma gota de chuva, e fomos almoçar em Tiradentes, que fica a 12 Km de São João del Rey. Fomos pela estrada dos inconfidentes, que é de pedra irregular, o que não é muito bom para quem anda numa custom como o Toco. Voltamos pelo asfalto. Fomos em direção à Lavras e daí pegamos a Fernão Magalhães, ou BR 381, de mão dupla que liga Belo Horizonte à São Paulo, por onde seguimos até atingir Pouso Alegre, que foi nossa parada para jantar e dormir.
29/10 - Pouso Alegre - São Paulo - São Roque
Como já era uma viagem de retorno, acordamos cedo e, logo após o café, já estávamos na estrada.
Erramos a entrada da BR-381 e andamos uns 10 Km em direção à Caldas Novas, quando nos demos conta do erro e voltamos. Na direção certa, depois de meia hora de estrada, encontramos o caminho obstruído. Tinha ocorrido um acidente. Uma camionete que transportava estudantes entrou na traseira de um caminhão e morreram 4 jovens. O motorista nos informou que estava ali parado desde as 6 horas da manhã e nesse momento já eram 9 e 30 min, e havia mais de 10 Km de caminhões e automóveis parados. Pensei: "se foi o nosso dia". Mas, com muita calma fomos andando entre os caminhões, um pouco pelo acostamento, até que encontramos uma estrada de terra que acompanhava a BR-381.
Perguntamos a um homem que estava parado na estrada se ele sabia onde ia dar aquela estrada. Ele sabia. Ia dar uns 10 Km adiante, num posto de gasolina. Não acreditamos, descemos o barranco com as motos, pegamos a estrada de terra e 15 min depois, estávamos fora do engarrafamento. Dali em diante foram 200 Km até São Paulo, com a Fernão Dias, somente para nós. Mão dupla só nossa.
Em São Paulo, quando entramos na Marginal do Tietê, ficamos sabendo o que é andar no tumulto e no trânsito engarrafado. Um horror, até pegarmos a Castelo Branco, uma via expressa que nos levou até São Roque, onde fui visitar meus parentes. O Toco ficou num hotel no centro da cidade.
30/10 - São Roque - Balneário Camboriú
Penúltimo dia da volta. Andamos mais de 640 Km. Nosso objetivo era Curitiba, mas como passamos por Curitiba às 13 horas, seguimos viagem.
Combinamos que rodaríamos até cansar ou escurecer. Quando acontecesse uma destas situações, pararíamos e ficaríamos na cidade.
Mas não resistimos. Quando passamos por Balneário Camboriú, não estávamos nem cansados, nem tinha escurecido. Assim mesmo paramos. Fizemos a última janta juntos, tomamos as derradeiras cervejas e comemos 5 Kg de sorvete cada um. Depois tivemos que andar quase 1 hora pela cidade de tanta comida para digerir.
No dia seguinte seria o último dia. Até hoje foram 27 dias de estradas, pousadas e motos. tivemos uma viagem muito boa e sem qualquer problema.
31/10 - Porto Alegre
Fim da viagem e nada melhor do que reencontrar a família. Ter a sensação de relaxamento de que tudo acabou, e bem.
A saudade da estrada fica, mas a saudade de casa já era grande.
As lembranças de tudo que se passou ficarão para sempre e as amizades construídas também.
Fotos: Jairo Bratkowski |  |