 | Motociclistas Gaúchos Rumo ao Nordeste - Parte VI
Imagens |  Novamento juntos, Jairo e Toco, deixam o estado do Sergipe em direção à Bahia e à muitas outras aventuras.
 Em Salvador, passeando pela cidade nos mais diversos pontos turísticos, como o Elevador Lacerda.
 De ferry boat até a ilha de Itaparica.
 Viajando pelos cantos mais imprevistos da Bahia e atravessando areias e buracos.
 A "estrada" era muito ruim e até fez com que o Toco, com uma custom, não conseguisse se manter de pé e sofresse uma queda, sem maiores conseqüências, por sorte.
 A igreja, quase medieval, com o padre usando batina na porta esperando os fiéis chegarem, enquanto cantos gregorianos eram entoados por um coro de vozes femininas deram um encanto especial ao domingo.
 Canasvieiras é uma cidade que preserva casas antigas da época das grandes riquezas baianas advindas da cana de açúcar.
 Em direção à Teofilo Ottoni (MG) mais buracos para enfrentar.
 Os dois motociclistas já passaram por mais de um dezena de estados brasileiros em suas aventuras.
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Sexta, 31 Outubro 2008 24/10 - Aracaju - Salvador - Ilha de Itaparica
Saímos de Aracaju pela praia de Atalaia, onde estávamos hospedados, e seguimos pela orla do estado de Sergipe. Voltamos à BR 101, onde andamos uns 50 quilômetros e entramos novamente na orla do estado da Bahia pela Estrada Verde com destino a Salvador. Uma viagem tranquila, sem movimento algum, estradas boas. A exceção é sempre a BR-101 que tem um movimento muito grande.
Chegamos em Salvador lá pelas 3 horas da tarde depois de 370 Km. Andamos de moto pela cidade, visitamos o Mercado Público e depois fomos ao cais do porto pegar o Ferry-Boat para a ilha de Itaparica, que era o destino do dia.
Após meia hora de espera para a saída do Ferry Boat e 45 min para a travessia, chegamos à ilha antes do anoitecer. Enquanto eu fui tomar banho de mar, o Toco foi dar a caminhada diária dele.
Nossa pousada era na Ponta de Areia, o local mais bonito e badalado da ilha, e a beira mar. À noite, enquanto eu preparava as fotos e matérias para mandar pela Internet, me divertia ouvindo o Toco falando italiano com 2 italianas que estavam hospedadas na pousada. Parece que conseguiram se entender.
25/10 - Ilha de Itaparica - Itacaré - Ilhéus - Canasvieiras
Aquela mesma e enfadonha rotina de todos os dias. O despertador toca às 6 horas da manhã. O café começa somente às 7 horas. Como não temos nada para fazer, o negócio é tomar mais um banho de mar, ali no outro lado da rua. Água quente, cálida e transparente. Quando a gente volta do banho de mar, o café já está servido. É tomar outro banho de chuveiro, café, carregar as motos, e ir a outro lugar. Onde hoje? Itacaré, Ilhéus, Canavieiras e Porto Seguro se der tempo.
É, mas hoje não deu. Tentamos evitar a 101 e descobrimos com os baianos uma estrada nova em folha que ia da cidade de Camamu até a famosa praia de Itacaré. Era 50 Km de estrada asfaltada nova, e mais uns 15 de estrada batida, boa, e tranquila para as motos. Pegava-se a balsa e pronto. No outro lado do rio a praia de Itacaré. Como não acreditamos mais em informações de nordestinos - são as mais desencontradas possíveis - fomos conferir com outro. Mesmo papo, informação confirmada e fomos.
Os 50 Km de asfalto foram ótimos. Novo em folha, bem sinalizada, sem nenhum buraco. Mas os 20 Km de estrada batida, foi outra história. A média de buraco era 30 por metro quadrado. Buracos os mais diversos possíveis,. Ovalados, redondos, elipses, quadrados, retângulos, todo tipo. Depois alternava-se com um buraco de 1 metro cúbico. 1 metro de largura, 1 de altura e 1 de profundidade. E assim foi por 20 Km. Andávamos com a média de 10 Km/h. E o cúmulo da ironia, ou gozação de baiano, quando chegamos no povoado onde deveria estar a balsa tinha uma placa na entrada que dizia "Diminua a velocidade. Ondulações na pista a 100 metros". Diminuir a 5 por hora? Só que a balsa não era no povoado. Tinha mais 10 Km de areial, até chegar ao rio.
Nestas alturas o Toco queria saber quem era o prefeito, que ia pedir a cassação dele, ou lhe dar uma surra, até a eliminação sumária dele foi cogitada. Argumentei: "Já andamos 15 Km horríveis, agora não dá para voltar. Vamos nestes 10 Km que faltam até a balsa.".
Andamos uns 3 Km e aí começou a areia na estrada. Montes, toneladas de areia, espalhadas pela estrada. Aliás a estrada era só areia. Eu com a minha Falcon estava em casa, me divertindo, mas o Toco com uma Custom suava e praguejava para se manter em pé andando. De repente ele sumiu de minha vista. Andei uns metros e vi a moto dele caída e o Toco embaixo dela preso pelo pé direito. Fui até lá preocupado, e perguntei como ele estava, se tinha machucado a perna ou o pé. Ele respondeu que estava tudo bem, só não conseguia sair debaixo da moto porque estava preso pelo pé. Aí me veio uma idéia maluca na cabeça: "Vou dizer a ele que já que ele está bem, não aconteceu nada, ele espera um pouquinho, que vou até a moto buscar a máquina fotográfica, para tirar uma foto dele naquela posição". Mas depois pensei. Na fúria que o Toco está, amaldioçando o prefeito e toda a classe política da Bahia, ele é capaz de querer brigar é comigo mesmo. Então, desisti da foto. Mas que seria a foto da viagem, seria.
Depois conseguimos chegar até a balsa, sem o Toco cair nenhuma vez mais, embora tenha ido uma ou duas vezes de encontro à cerca até chegar em Itacaré. O Toco havia me dito que não gostara de Itacaré. Eu também não achei grande coisa. É local para jovem.
Seguimos viagem, agora em estrada impecável, a BA-01, passando por povoados e cruzando uma exuberante mata atlântica até Ilhéus. Cruzamos direto Ilhéus, onde já tínhamos estado na ida, porque queríamos chegar à Porto Seguro.
Como não daria mais tempo para isso, pois iria escurecer antes, perguntamos a um baiano qual a distância de Ilhéus a Canasvieiras, pois então passaríamos a noite lá. O Toco tem um primo que é dono do Hotel Atlantic na praia e me disse que valeria a pena conhecer a cidade. Então, perguntamos: "Qual a distância daqui de Ilhéus a Canavieiras", "60 Km", respondeu ele. Quatro horas da tarde, daria tranquilo para chegar antes das 5 horas e 45 min, quando começa a escurecer.
Quando tínhamos andado uns 35 Km, encontramos uma placa na estrada: CANASVIEIRAS 96 KM. Chegamos de noite, com o Toco amaldiçoando os baianos e suas informações.
À noite, fomos jantar na parte antiga da cidade, que é bonita e muito bem preservada.
26/10 - Canasvieiras a Teófilo Ottoni
Acordamos bem cedo. Cinco e meia e já estavamos de pé e seis e meia prontos para viajar. Fomos até a parte antiga da cidade de Canasvieiras pra registrar com algumas fotos.
A igreja, quase medieval, com o padre usando batina na porta, esperando os fiéis chegarem, enquanto cantos gregorianos eram entoados por um coro de vozes femininas deram um encanto especial a este domingo que anunciava somente estrada e estrada. Seriam 615 Km até Teofilo Ottoni, em Minas Gerais, mais os 130 Km que não conseguimos completar no dia anterior.
Canasvieiras é uma cidade que preserva casas antigas da época das grandes riquezas baianas advindas da cana de açúcar. A prefeitura da cidade dá regalias a quem preserva a fachada destes casarões antigos. O que se vê são inúmeras casas do século XVII e XIX muito bem conservadas e pintadas como se fossem novas.
O Toco me advertiu que um trecho de estrada seria muito esburacado. Ele tinha passado por ali há 2 anos de carro e a estrada era só buraco Não sabia se haviam consertado ou não, por isso me aconselhava cuidado. Achei que ele estava exagerando. Não andei 100 metros na estrada e caí numa cratera aberta no asfalto. É incrível como um governo deixa 2 anos uma estrada sem conservar ou recuperar um investimento que foi de milhares de reais.
Mas, depois de 30 Km, chegamos em Santa Luzia na Bahia e a estrada melhorou. Voltamos à BR101 e, como esperávamos, não tinha muito movimento.
Domingo, dia de eleição, os caminhões estavam todos na garagem. Abandonamos a 101 e o litoral e fomos em direção do interior do Brasil e de Minas Gerais. Seria o décimo quarto estado que eu percorreria e o décimoo terceiro do Toco, já que ele não foi ao Ceará.
Bem antes do anoitecer, muito cansados devido ao calor infernal que suportamos, chegamos a Teófilo Ottoni onde perrnoitamos.
Fotos: Jairo Bratkowski |  |