Preparado para o final de semana do Carnaval (13 e 14 de Fevereiro), resolvi conhecer as estradas rurais que ligam Blumenau a Urubici, aí passando por diversas cidades pequenas e suas estradas de terra não muito conhecidas.
Sai de Timbó as 8:30hs de sábado com o tempo nublado, segui até Blumenau pela BR 470 e segui direto para o Bairro Garcia, onde começaria a desbravar as estradas de chão batido. Não foi difícil, pois existia uma única placa que indicava para Brusque. Não perdi tempo e comecei a encarar as primeiras subidas cheias de buracos causados pela erosão e após pouco tempo já havia passado por Gaspar e me encontrava em Guabiruba, até aí um caminho mais fácil.
De Guabiruba segui rumo a Botuvera, cidade conhecida pela extração de calcário e pelas cavernas, pela BR 486, rodovia não pavimentada. De Botuvera em diante a estrada piorava consideravelmente e predominava o total isolamento. Por quilômetros não se via sinal de nada, passei mais de uma hora sem cruzar por pessoas, vilas ou até outro carro ou moto. Depois de algum tempo chequei a uma encruzilhada e lá estava a placa que eu procurava, indicando o caminho para Vidal Ramos, mais um longo trecho de belas paisagens rumo ao interior de SC, passando por pequenos sítios, até chegar a Praça Stoltenberg em Vidal Ramos ainda pela BR 486, está já conhecida por alguns dos viajantes mais aventureiros, parada rápida para algumas fotos e pé na estrada.
Com mais um trecho vencido, seguiria minha rota para a Ccdade de Imbui com parte já asfaltada e de lá entraria na pequena cidade de Leoberto Leal pela SC-481 que próximo a Leoberto Leal não esta pavimentada, e assim cruzaria o interior desta cidade passando por Alfredo Wagner, onde encontrei diversas cachoeiras na beira da estrada para dar uma parada e me refrescar. A visão rural é impressionante, campos, pastagens e cultivo de hortaliças são comuns em todo caminho.
Enfim estava em Bom Retiro, já está parte com asfalto bem conservado, o seguiria até a entrada em Urubici.
Em Urubici aproveitei meu tempo para mais uma vez ir ao Morro da Igreja, desfrutar do maravilho visual proporcionado, e algo que me surpreendeu ao caminho foram os pomares de maça totalmente carregados, e claro, não podia deixar de parar e colher uma.
No morro da Igreja o Frio apertou e a temperatura caiu mais de 15ºC do centro de Urubici, isto porque estava a 1.828m de altitude.
No entanto o final do dia se aproximava, voltei para a pousada para descansar e preparar a volta, que seguiria por um caminho diferente, mas com as mesmas características, desceria a Serra do Corvo Branco e seguiria para Braço do Norte, um trecho que exigiria tempo e bastante esforço físico, no caso, era me recolher e descansar.
Amanhece o dia, e o que me espera? O domingo vem chuvoso., até as 11hr a chuva não deu folga.
Assim que a chuva passou, só foi tempo de arrumar a bagagem e me despedir do simpático Sr. Francisco, proprietário da Pousada Girassol que é uma ótima pedida para quem passa pela cidade.
Já era meio-dia quando mirei a SC-439 que atravessaria a Serra do Corvo Branco e me levaria a Grãn Para. Neste trecho sofri como louco nos primeiros 11 Kms, pois, como relatado, uma parte que leva à Serra do Corvo Branco vem sendo pavimentada, e como havia chovido na manhã em uma parte de 300m estava com mais de 30cm de pura lama, os carros só estavam subindo rebocados por um trator e as motos bem, as motos, só na raça, e se enchendo de lama, não teve solução, tive que subir deixando a moto totalmente suja e atolado até os joelhos de lama, mas passando isso o resto foi desviar de buracos e curtir, descer esta serra é impagável, visualizar a grandiosidade dos paredões, uma natureza descomunal. Segui margeando o rio até Grãn Para.
De Grãn Para até Rio Fortuna segui tranquilo, em um asfalto muito bem conservado, passando a parte urbana de Rio Fortuna começou novamente as estradas de terra, estradas estas na encosta do rio, onde estava a 20m de altura olhando o rio em estradas estreitas.
No demais era seguir, pois a hora passava rápido, já eram 16hr e eu ainda não tinha chegado em Anitápolis, seguia em velocidade moderada e ainda tendo o clima como agravante, pois o céu escurecia, e sabia que mais cedo ou mais tarde a chuva iria aparecer, isto prejudicaria o passeio sem contar o risco que iria oferecer, pois como trafegava em locais isolados qualquer descuido poderia proporcionar uma queda, e isto acabaria com todos os planos.
Continuava apenas com paradas para fotos e admirando a paisagem. Atravessei a pequena cidade de Anitápolis e segui para Rancho Queimado, onde São Pedro não perdoou, foram 10 minutos de chuva torrencial, o suficiente para me encharcar, e deixar a estrada lamacenta , mas logo estava em Angelina já transitando em asfalto até São João Batista.
A meu passeio já estava quase no fim, pois seguiria até Brusque, daí para Gaspar onde buscaria a BR-470 que me traria para casa, um trecho já bem conhecido.
Assim com mais um pouco de chuva estava em casa, depois de 664km sendo mais de 450km em estradas de terra, conhecendo inúmeras comunidades rurais, vendo o quanto Santa Catarina é bela, e quanto há para conhecer.
Aqui fica a dica de mais um roteiro de Santa Catarina que deve ser conhecido.